quinta-feira, 2 de abril de 2009


ASSOCIAÇÃO ENTRE O POLIMORFISMO FUNCIONAL DO PROMOTOR LIGADO AO TRANSPORTADOR DA SEROTONINA (5-HTTLPR)Agressividade Externalizada e Internalizada e Abuso do Álcool

Samuel POMBO, Pilar DE QUINHONES LEVY, Manuel BICHO, António BARBOSA,Fátima ISMAIL, Neves CARDOSO

Acta Med Port 2008; 21: 539-546

Na genética do alcoolismo evidenciam-se repercussões na heterogeneidade fenotípica da dependência do álcool, possibilitando a maior, ou menor expressão de comportamentos associados de agressividade.
A patogénese do alcoolismo e do comportamento anti-social tem sido relacionadas com a desregulação do sistema serotoninérgico, sustentando assim, a investigação do polimorfismo de inserção/delecção de 44 bases do gene transportador da serotonina (5-HTT). O estudo tem como objectivo avaliar a relação entre o polimorfismo 5-HTTLPR, o comportamento agressivo e o consumo do álcool.
Foram recrutados 97 dependentes do álcool da consulta de Etilo-Risco do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria. Durante o programa terapêutico foi colhido sangue para extracção de ADN e realizada a avaliação clínica e comportamental.
Para o polimorfismo 5-HTTLPR, 30.7% dos doentes alcoólicos são homozigoticos para o alelo l, 19.8% dos doentes alcoólicos são homozigoticos para o alelo s e 49.5% são heterozigoticos l/s.Verificou-se significativamente menores scores de agressividade durante a fase de consumo agudo do álcool nos alcoólicos portadores do alelo l(ll/ls) e scores mais elevados de agressividade (em período de consumo agudo e abstinência) nos alcoólicos portadores do alelo s (ss/ls), embora este resultado não tenha sido significativo. A associação da natureza funcional do alelo s do polimorfismo 5-HTTLPR, com o comportamento agressivo, é consistente com os modelos de agressividade que relatam uma diminuição central da actividade serotoninérgica associada a condutas impulsivas e anti-sociais
Os resultados revelam uma associação entre o polimorfismo 5-HTTLPR e o comportamento de auto e heteroagressividade na população dependente do álcool, sobretudo, quando a agressividade emerge sob o efeito do álcool. Neste período de consumo de bebidas alcoólicas, a presença do alelo l afigura-se como um factor “protector” do desenvolvimento de comportamentos agressivos, enquanto que a tendência dos resultados aponta o alelo s (curto) como factor de predisposição. Estes resultados sugerem que a presença do alelo s pode conferir uma vulnerabilidade genética no doente alcoólico à manifestação de comportamentos de agressividade, particularmente, quando em interacção com o efeito agudo do álcool.

http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2008-21/6/539-546.pdf

sábado, 31 de janeiro de 2009

As bebidas alucinogénias: o consumo da ayahuasca enquanto regulador tribal sócio-antropológico

S Pombo; Acta Psiquiátrica Portuguesa; Vol.55; pp:1983-1986.

Sumário

As substâncias alucinogénias induzem uma perturbação do sistema perceptivo. A utilização destas drogas possui um amplo histórico sócio-antropológico, particu-larmente, associado a alguns sistemas de comunicação simbólica e de transmissão de conhecimento cultural em algumas tribos locais. A ayahuasca é exemplo de uma bebida alucinogénia integrada em práticas de ritualidade tribal. O artigo visa a caracteri-zação do seu uso em contexto indígena, o qual representa uma experiência de "viagem" condicionada pela actividade alucinatória culturalmente sintónica. O hábito ceri-monial de consumo da ayahuasca está inscrito no suporte de afinidades familiares, comunitárias e didácticas dos elementos de cada grupo étnico.

A propósito da avaliação clínica numa consulta de toxicodependências

N Félix da Costa, Samuel Pombo, Filipe Barbosa

RESUMO
Os resultados da investigação clínica criam a oportunidade de reflectir sobre as características dos programas de intervenção, adaptá-los e corrigir o desempenho dos terapeutas. Nesta análise
do desempenho dos programas de substituição opiácea da Consulta de Toxicodependências do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria (HSM), centrámo-nos sobre algumas características dos utentes que prognosticassem uma boa resposta terapêutica em 123 dependentes de heroína admitidos sequencialmente no controlo analítico de metabolitos. Variáveis como o rendimento mensal auferido, tempo de frequência em consulta, a infecção pelo vírus do VIH e a existência de consumos de álcool ou cannabis foram indicadores de desempenho do tratamento da heroinodependência. No plano da intervenção terapêutica também as duas subamostras em substituição com buprenorfina e com metadona tiveram comportamentos diferentes. O estudo sugere uma conclusão paradoxal: a subpopulação em substituição com buprenorfina, com melhor prognóstico à partida, apresenta mais recaídas, mas num quadro de melhor funcionamento psicossocial. Por outro lado, este resultado encontrado não se afigura
relacionado tanto com a substância usada na substituição, mas mais com a má utilização da maior autonomia que ela permite aos doentes que a utilizam.

>http://www.idt.pt/PT/RevistaToxicodependencias/Paginas/ArtigoDetalhe.aspx?id=95

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

The Alcoholic Phenotypes among Different Multidimensional Typologies: Similarities and Their Classification Procedures


Samuel Pombo and Otto Michael Lesch
Alcohol & Alcoholism, pp. 1–9, 2008

Abstract — Aim: This detailed cross-sectional analysis, obtained from a sample of alcohol-dependent patients, attempts to compare multiple methods that have been created to classify or subtype alcoholics. Methods: The sample comprised 318 alcohol-dependent patients recruited from the alcoholism unit (NETER) of the Psychiatric Service of Santa Maria University Hospital in Lisbon (Portugal). All subjects were evaluated during the outpatient therapeutical programme for operationalized criteria, reported by each alcoholism typology. Results: Regarding concordance agreement (kappa values) for the three type I/II classifications, von Knorring versus Sullivan yielded the higher rate of agreement, followed by von Knorring versus Gilligan and Gilligan versus Sullivan criteria. Chi-square comparisons showed a significant overlap between Babor type A and Cloninger type I of von Knorring and Sullivan. Over-two-type classifications showed the following significant positive relations: Lesch type I versus NETER heredopathic subtype; Lesch type II versus NETER anxiopathic subtype and Babor type A; Lesch type III versus NETER tymopathic subtype; Lesch type IV versus Cloninger type II of von Knorring and Sullivan criteria; and NETER adictopathic subtype versus Cloninger type II of von Knorring, Sullivan and Gilligan criteria. Conclusions: There is a significant overlap across many of the multivariate alcoholic subtypes purposed, in which much of the concordance is a function of common characteristics in subtype operationalization. Commonalities among these different subtyping classification systems offers the possibility of identifying important dimensions that better differentiate individuals among problem drinker’s populations.

http://alcalc.oxfordjournals.org/cgi/content/abstract/agn080

quarta-feira, 18 de junho de 2008

As respostas mnésicas do cérebro perante a presença do álcool


Abstract

O artigo de revisão visa a análise dos vários fenómenos mnésicos que podem ocorrer face à presença do álcool no sistema nervoso central.
A intoxicação pelo álcool perturba o decurso de codificação de novas memórias, contudo, não interfere com a recuperação mnésica do material previamente armazenado.
Os estudos mostram inclusivamente que a capacidade de reevocação do material mnésico pode melhorar quando accionado num estado similar ao do processo de codificação (memória dependente do contexto, neste caso, do estado de intoxicação pelo álcool); que o consumo do álcool pode favorecer o processo mnésico ao prejudicar preferencialmente a capacidade de produzir nova informação, e assim, interferir em menor grau na fase de pós-codificação; e que a população alcoólica demonstra determinadas propensões cognitivas ao nível da selectividade mnésica.
O consumo excessivo do álcool está associado frequentemente à ocorrência de períodos de perda de memória. Este episódio amnésico anterógrado induzido pelo consumo do álcool, definido como
blackout alcoólico, deve-se ao facto do álcool impossibilitar a capacidade de formar novas memórias durante o período do consumo excessivo de bebidas alcoólicas.


(Samuel Pombo; Acta Psiquiátrica Portuguesa; Vol.54, pp:1919-1926)

domingo, 20 de abril de 2008

Denegação do alcoolismo nos subtipos I e II de Cloninger


Samuel Pombo, R Reizinho, F Ismail, J Cardoso

Análise Psicológica, Série XXVI, 2008.


Resumo
A denegação da alcoolização define a recusa dos bebedores dependentes em assumir o uso patológico do álcool, além de minimizar a relação entre os consumos do álcool e os seus problemas psicológicos, orgânicos e sociais associados. A escala de avaliação da denegação (Denial Rating Scale) confere ao terapeuta um instrumento de observação e quantificação da denegação do problema clínico do álcool.
O presente estudo tem como objectivo, traduzir e validar para a língua portuguesa a escala de avaliação da denegação (Denial Rating Scale) e avaliar o nível de denegação da doença alcoólica tendo em conta os sub-tipos I e II de Cloninger. No processo de confiabilidade inter-avaliadores e de validação da DRS obteve-se coeficientes estatísticos adequados, permitindo a utilização do instrumento num setting especializado para o tratamento da dependência alcoólica.
Os pacientes Tipo II de Cloninger apresentaram menores níveis de denegação do alcoolismo, quando comparados com os pacientes Tipo I.

NEUROPSYCHOLOGICAL FUNCTION AND PLATELET MONOAMINE OXIDASE ACTIVITY

SAMUEL POMBO, P LEVY, M BICHO, F ISMAIL and J CARDOSO

Alcohol & Alcoholism; Vol. 43, No. 4, pp. 423–430.



Abstract — Aims: To explore neuropsychological function in two differentiated patterns of platelet monoamine oxidase B (MAOB) activity in alcoholic patients.Methods:Neuropsychological examination and platelet MAO B activity extracted from blood were collected from 42 alcohol-dependent patients recruited in the alcoholism unit (NETER) of the Psychiatric Service of Santa Maria University Hospital. Results: Alcoholics presented significantly low levels of platelet MAO B activity, when compared with control subjects; platelet MAO B activity in alcoholics classified as “under average subgroup” showed significant lower scores in the Raven Progressive Matrix and higher scores in hostility dimension, when compared with platelet MAO B activity in “above average subgroup.” Conclusions: Results suggested platelet MAO B as a trait marker also to type I alcohol-dependent patients and the two observed associations between platelet MAO B activity with neurocognitive measures of executive functions (nonverbal reasoning) and psychopathological dimension such as hostility may support the notion about the effect of platelet MAO B activity in the further development of an impulsive cognitive style.
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