terça-feira, 12 de junho de 2012

Para um novo paradigma de intervenção clínica na dependência do álcool: a tipologia alcoólica de Lesch (TAL)


Samuel Pombo, Otto Lesch
REVISTA TOXICODEPENDÊNCIAS EDIÇÃO IDT VOLUME 17 NÚMERO 3  2011 pp. 65-81


RESUMO


Há muito que não só a prática clínica como a investigação científica observam que os alcoólicos não são todos iguais. Aliás, bem pelo contrário, apresentam uma elevada heterogeneidade, por exemplo, no padrão de consumo do álcool, na estrutura de personalidade, no tipo de co-morbilidade e vulnerabilidade neurobiológica. Esta diversidade produz manifestações fenotípicas distintas no perfil clínico do doente alcoólico (subtipos), podendo repercutir-se na eficácia dos modelos de tratamento disponíveis se não se encontrar reflectida na planificação terapêutica. A Tipologia Alcoólica de Lesch (TAL) define 4 subtipos de dependentes do álcool, validados cientificamente, desenvolvidos a partir de preditores clínicos a longo prazo: tipo I traduz um subgrupo fisiológico (“Modelo de alcoolismo enquanto doença física”); tipo II define um subtipo Ansioso (“Modelo de alcoolismo para lidar com ansiedade e resolução de problemas”); tipo III caracteriza um subtipo Depressivo (“Modelo do álcool como anti-depressivo”) e tipo IV representa um Subtipo Orgânico (“Modelo de alcoolismo secundário a problemas do desenvolvimento infantil e de alterações cerebrais pré-alcoólicas”). Este trabalho visa a introdução ao paradigma das tipologias do alcoolismo, com foco particular na investigação científica e clínica da TAL e suas propostas terapêuticas.Conclui-se a disponibilidade de um corpo teórico e evidência científica que justifica a intervenção na dependência do álcool racionalmente fundamentada pela TAL.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011



Samuel POMBO, Daniel SAMPAIO

DEPOIS DA EMBRIAGUEZ VEM A RESSACA

Uma Perspectiva Sobre o Consumo de Álcool nos Jovens

Até aos dias de hoje, pouco relevância tem sido dada à principal causa de morbilidade do consumo do álcool nos jovens, a denominada ressaca do dia seguinte. A ressaca é definida pela presença de sintomas decorrentes do consumo excessivo do álcool e o seu total metabolismo, com gravidade suficiente para perturbar as responsabilidades e actividades de vida diárias. Numerosas observações mostram-nos que geralmente os jovens se envolvem em toda uma série de comportamentos para lidar com os efeitos indesejados de uma noite de consumo imoderado do álcool.
Tendo por base uma avaliação empírica, será discutido neste estudo as condicionantes da ressaca do álcool e quais os comportamentos que normalmente os jovens se envolvem para tentar atenuá-la. A amostra foi constituída por 134 estudantes universitários, a frequentar o primeiro ano do ensino superior.
Pode-se concluir que a frequência destes comportamentos para lidar com a ressaca traduz a necessidade do jovem tentar anular, ou aligeirar de uma forma precisa e sintomática, os efeitos mais reiterados de um cluster aversivo de ressaca do álcool.
Este trabalho proporciona informação que julgamos profícua do ponto de vista pedagógico, ao aprofundar quais os mecanismos cognitivos, comportamentais e fisiológicos que ocorrem durante um episódio de ressaca do álcool. Tendo em conta que o consumo de bebidas alcoólicas é um comportamento frequente e normativo da adolescência, propõe-se a adopção de uma perspectiva realista do fenómeno (mais do que ideológica e utópica), que passa por protelar ao máximo o início do consumo do álcool nos jovens, educando-os acerca dos potenciais malefícios do seu consumo, dentro de uma perspectiva alargada de incentivo a um estilo de vida saudável e de proximidade com o adolescente.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

NEW BOOK





Cognitive-Behavioural Indicators of Substance Abuse

Authors: Samuel Pombo, Filipe Barbosa,

Marco Torrado, Nuno Félix da Costa

(University of Lisbon, Portugal)

Book Description:

Problems related to substance use, abuse and dependence are a major concern on societies today, persisting to require considerable attention from the community. For decades studies have been showing that drug consumption represents a main risk factor for physical, social and mental health problems. Unfortunately, reality shows that in many cultures and fractions of population, heavy substance use is the norm. This new book examines the cognitive-behavioral indicators of substance abuse and various corresponding treatment techniques.



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

OUT NOW !!!

SAmuel POmbo et al., NEW CHAPTER in the BOOK "Social Drinking: Uses, Abuses and Psychological Factors" edited by Katherine T. Everly and Eva M. Cosell © 2009 Nova Science Publishers, Inc.




chatper 4: "Cognitive-Behavioural Indicators of Alcoholism Phenotypes in Patients in Opioid Maintenance Treatment" by Pombo et al.






Already in Prepress: price $116.10




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“CRAVERS” PELO ÁLCOOL


Samuel Pombo et al. @ PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS, 2008, 9 (2), 349-365

RESUMO: O craving pode ser definido como um desejo irreprimível, intrusivo e intenso pelo consumo do álcool. Na literatura, têm sido introduzidos vários modelos explicativos e instrumentos de avaliação deste conceito. O estudo tem como objectivo avaliar as características psicométricas de dois questionários de avaliação do craving (Escala Obsessivo-compulsiva deYale-Brown para Bebedores Excessivos e a Escala de Craving pelo Álcool de Penn), numa população dependente do álcool em regime de tratamento em ambulatório e averiguar comparativamente os níveis de craving da amostra. O estudo da fiabilidade, da constituição factorial e dos coeficientes de correlação das escalas com medidas análogas, revelaram boas qualidades psicométricas e corroboram a validade convergente. A análise comparativa verificou que os pacientes dependentes do álcool classificados como “Cravers” apresentaram significativamente maiores níveis de depressão, ansiedade e agressividade; reforçando a componente cognitiva do craving enquanto elemento induzido por afectos negativos – craving
negativo.



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O cérebro dependente do álcool: em passagem pelas neurociências da alcoologia


Samuel Pombo, Nuno Félix da Costa

Revista da Faculdade de Medicina de Lisboa; serie III, vol 14, 2009.

Resumo

O desenvolvimento e modernização das metodologias de investigação em neurociências, tem permitido a descoberta do cérebro dependente do álcool com maior rigor científico. Neste artigo, procurámos analisar os efeitos nocivos do consumo patológico do álcool ao nível do SNC e as suas potenciais implicações na história natural da clínica do alcoolismo. Dos estudos resultam correlatos neuropsicológicos e neuroimagiológicos da doença alcoólica, que num futuro próximo podem definir marcadores clínicos de evolução terapêutica e aperfeiçoar a subtipificação de determinados fenotipos de alcoólicos.

Endofenotipos e expressividade da personalidade do doente alcoólico: a actividade enzimática da monoamina oxidase (MAO)


Samuel Pombo et al.

REVISTA TOXICODEPENDÊNCIAS EDIÇÃO IDT VOLUME 15 NÚMERO 2 2009 pp. 57-66

A definição da MAO-B plaquetária como potencial marcador biológico do alcoolismo e da personalidade tem sido larga-mente discutida. O estudo tem como objectivo clarificar a relação entre a actividade da MAO-B plaquetária e algumas dimensões de personalidade encontradas em diferentes fenó-tipos alcoólicos (tipo I/II). Foram avaliados sequencialmente 112 dependentes do álcool, recrutados na consulta de Etilo Risco do Serviço de Psiquiatria do HSM. A diminuição de actividade da MAO-B plaquetária associou-se à dimensão de neuroticismo e alexitimia, após controlar a influência das variáveis sexo, subtipos de alcoolismo e consumo de cigarros. Os resultados fornecem evidência adicional da influência da actividade da MAO-B plaquetária ao nível da expressividade fenotipica de alguns traços de personalidade do doente alcoólico, particularmente, no desenvolvimento de um estilo cognitivo impulsivo.


http://www.idt.pt/PT/RevistaToxicodependencias/Artigos%20Ficheiros/2009/2/art5vol15_n2.pdf