segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O cérebro dependente do álcool: em passagem pelas neurociências da alcoologia


Samuel Pombo, Nuno Félix da Costa

Revista da Faculdade de Medicina de Lisboa; serie III, vol 14, 2009.

Resumo

O desenvolvimento e modernização das metodologias de investigação em neurociências, tem permitido a descoberta do cérebro dependente do álcool com maior rigor científico. Neste artigo, procurámos analisar os efeitos nocivos do consumo patológico do álcool ao nível do SNC e as suas potenciais implicações na história natural da clínica do alcoolismo. Dos estudos resultam correlatos neuropsicológicos e neuroimagiológicos da doença alcoólica, que num futuro próximo podem definir marcadores clínicos de evolução terapêutica e aperfeiçoar a subtipificação de determinados fenotipos de alcoólicos.

Endofenotipos e expressividade da personalidade do doente alcoólico: a actividade enzimática da monoamina oxidase (MAO)


Samuel Pombo et al.

REVISTA TOXICODEPENDÊNCIAS EDIÇÃO IDT VOLUME 15 NÚMERO 2 2009 pp. 57-66

A definição da MAO-B plaquetária como potencial marcador biológico do alcoolismo e da personalidade tem sido larga-mente discutida. O estudo tem como objectivo clarificar a relação entre a actividade da MAO-B plaquetária e algumas dimensões de personalidade encontradas em diferentes fenó-tipos alcoólicos (tipo I/II). Foram avaliados sequencialmente 112 dependentes do álcool, recrutados na consulta de Etilo Risco do Serviço de Psiquiatria do HSM. A diminuição de actividade da MAO-B plaquetária associou-se à dimensão de neuroticismo e alexitimia, após controlar a influência das variáveis sexo, subtipos de alcoolismo e consumo de cigarros. Os resultados fornecem evidência adicional da influência da actividade da MAO-B plaquetária ao nível da expressividade fenotipica de alguns traços de personalidade do doente alcoólico, particularmente, no desenvolvimento de um estilo cognitivo impulsivo.


http://www.idt.pt/PT/RevistaToxicodependencias/Artigos%20Ficheiros/2009/2/art5vol15_n2.pdf