sábado, 31 de janeiro de 2009

As bebidas alucinogénias: o consumo da ayahuasca enquanto regulador tribal sócio-antropológico

S Pombo; Acta Psiquiátrica Portuguesa; Vol.55; pp:1983-1986.

Sumário

As substâncias alucinogénias induzem uma perturbação do sistema perceptivo. A utilização destas drogas possui um amplo histórico sócio-antropológico, particu-larmente, associado a alguns sistemas de comunicação simbólica e de transmissão de conhecimento cultural em algumas tribos locais. A ayahuasca é exemplo de uma bebida alucinogénia integrada em práticas de ritualidade tribal. O artigo visa a caracteri-zação do seu uso em contexto indígena, o qual representa uma experiência de "viagem" condicionada pela actividade alucinatória culturalmente sintónica. O hábito ceri-monial de consumo da ayahuasca está inscrito no suporte de afinidades familiares, comunitárias e didácticas dos elementos de cada grupo étnico.

A propósito da avaliação clínica numa consulta de toxicodependências

N Félix da Costa, Samuel Pombo, Filipe Barbosa

RESUMO
Os resultados da investigação clínica criam a oportunidade de reflectir sobre as características dos programas de intervenção, adaptá-los e corrigir o desempenho dos terapeutas. Nesta análise
do desempenho dos programas de substituição opiácea da Consulta de Toxicodependências do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria (HSM), centrámo-nos sobre algumas características dos utentes que prognosticassem uma boa resposta terapêutica em 123 dependentes de heroína admitidos sequencialmente no controlo analítico de metabolitos. Variáveis como o rendimento mensal auferido, tempo de frequência em consulta, a infecção pelo vírus do VIH e a existência de consumos de álcool ou cannabis foram indicadores de desempenho do tratamento da heroinodependência. No plano da intervenção terapêutica também as duas subamostras em substituição com buprenorfina e com metadona tiveram comportamentos diferentes. O estudo sugere uma conclusão paradoxal: a subpopulação em substituição com buprenorfina, com melhor prognóstico à partida, apresenta mais recaídas, mas num quadro de melhor funcionamento psicossocial. Por outro lado, este resultado encontrado não se afigura
relacionado tanto com a substância usada na substituição, mas mais com a má utilização da maior autonomia que ela permite aos doentes que a utilizam.

>http://www.idt.pt/PT/RevistaToxicodependencias/Paginas/ArtigoDetalhe.aspx?id=95