terça-feira, 16 de outubro de 2007

“Alcoholic patients overlap among different typological classification schemes”

Oral presentation in the 11th Congress of the European Society for Biomedical Research on Alcoholism. ESBRA 2007, 25 September, 2007 / Berlin.

Samuel Pombo

Aims:This study aims to assess patients classification concordance among six different alcoholic typological models: Cloninger´s Type I/II Von Knorring, Sullivan and Gilligan operationalized criteria; Babor Type A/B; NETER Alcoholic Typology and Lesch Subtypes.
Methods:A sample of 318 alcohol-dependent patients recruited in the alcoholism unit (NETER) of the Psychiatric Service of Santa Maria University Hospital in Lisbon (Portugal) was eligible for study entry. All subjects were evaluated during the outpatient therapeutical programme for operacionalized criteria, reported by each alcoholism typology.
Results:Regarding concordance agreement (kappa values) for the three type I/II classifications, Von Knorring vs. Sullivan yielded the higher rate of agreement, followed by Von Knorring vs. Gilligan and Gilligan vs. Sullivan criteria. Chi-square comparisons showed a significant overlap between Babor type A and Cloninger type I of Von Knorring (72.7% concordance) and Sullivan (74.4%). Over-two type classifications showed the following significant positive relations: Lesch type I vs. NETER heredopathic subtype (.20); Lesch type II vs. NETER anxiopathic subtype (.40) and Babor type A (.26); Lesch type III vs. NETER tymopathic subtype (.58); Lesch type IV vs. Cloninger type II of Von Knorring (.18) and Sullivan (.20) criteria and NETER addictopathic subtype vs. Cloninger type II of Von Knorring (.18), Sullivan (.18) and Gilligan (.17) criteria.
Conclusions:Like in other studies it was verified a low level of agreement between the proposed methods for identifying Cloninger’s type I/II alcoholics. We also observed a significantly overlap between type I and type A patients and anxiety and depression classification criteria methods.

sábado, 23 de junho de 2007

Tipologias da dependência do álcool e o seu significado para a terapêutica médica

Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria e Clínica Psiquiátrica de Viena
Dvorak A, Pombo S, Ismail F, Barbosa A, Cardoso JM, Figueira ML, Walter H, Lesch OM (2006)
Acta Psiquiátrica Portuguesa. Vol.52; Num. 2, pp:1693-1705.

Abstract

Considerando a heterogeneidade dos comportamentos alcoólicos, a necessidade de definir subgrupos de dependentes do álcool torna-se indispensável ao nível da investigação básica (pré-clínica) e da intervenção terapêutica (clínica). A influência dos factores de personalidade, o tipo de comorbilidade e a dimensão dos problemas ligados ao álcool, têm que se encontrar reflectidos na planificação terapêutica. Embora não haja uma tipologia da dependência do álcool universalmente aceite, com razoável
exactidão e validade prognóstica, existem algumas tipologias que alcançaram preponderância no campo da investigação básica e terapêutica. Destacam-se as tipologias de Jellinek,
Cloninger et al., Babor et al., Schuckit et al., Lesch et al., e a NAT de Cardoso et al.
Os autores avaliaram a bibliografia disponível no que respeita à qualidade metodológica dos estudos e coligiram os resultados dos métodos terapêuticos aplicados à dependência do álcool.
Tais achados e o tipo de reacção às várias terapias demonstram que, para a terapia medicamentosa de dependentes do álcool torna-se indispensável a definição de subgrupos específicos.

NETER Alcoholic 5 Subtypes: Validity with Lesch 4 Evolutionary Subtypes


Samuel Pombo, R Reizinho, F Ismail, A Barbosa, M Figueira, Cardoso, OM Lesch

Psychiatric Service of Santa Maria University Hospital
(International Journal of Psychiatry in Clinical Practice, 2007, 1-10).

Objective।validate NETER’s Alcoholic Typology (NAT), taking into account the differentiated distribution of the measures used as external criteria in the alcohol dependent sub-groups and its relationship with Lesch’s Alcoholic Typology (LAT). Method. A sample of 133 alcohol-dependent patients integrated in the alcoholism unit (NETER) of the Psychiatric Service of Santa Maria University Hospital were included in the study. Results and Conclusions. Convergent validity was assured by the agreement between the subtypes of the two typologies (NETER and Lesch), considering the same underlying model of alcoholism development: Anxiopathic subtype of NETER and Type II (Model of anxiety, alcohol as conflict solution) of Lesch and the Tymopathic subtype of NETER and type III (Model of Depression, alcohol as antidepressant) of Lesch. Discriminant analysis (external criteria) showed significant differences between the subtypes in the following variables: gender; tobacco; beer and whisky consumption; daily average of drinks; clinical conditions as Delirium Tremens, alcoholic blackouts and seizures; alcohol related problems severity; psychological dimensions as psychological maturity and extroversion; and suicidal ideation during the alcohol consumption period. A more exhaustive description of alcoholic sub-groups may improve alcoholism genetic studies and adequate the alcoholic patient to a specific therapeutical protocol.
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segunda-feira, 4 de junho de 2007

NETER ALCOHOLIC TYPOLOGY (NAT)*

CARDOSO, A BARBOSA, F ISMAIL and SAMUEL POMBO
* Alcohol and Alcoholism, November 28, 2005

Aims: To establish an alcohol-dependent drinker's clinical typology, based on patients attending the Alcoholism Unit of Santa Maria's General Hospital in Lisbon, Portugal। Methods: A multivariate statistical analysis was used to extract the typology solution. Results: We obtained five factors: Anxiopathic, typifies anxious functioning; Heredopathic, congregates familiar and genetic influences on alcoholism; Thimopathic, typified by affective symptomatology; Sociopathic, characterized by disruptive behaviours under alcohol influence; and Adictopathic, isolates younger individuals who consume alcohol and other types of psychoactive substances. Conclusions: There are increasingly alcoholic polymorphic subtypes derived from the interactive complexity between genetic/family and psychosocial factors.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Tipologia de doentes com Problemas Ligados ao Álcool da consulta de Etilo-Risco do HSM

Recentemente, o NETER, publicou numa revista científica um estudo sobre uma tipologia de doentes com Problemas Ligados ao Álcool da consulta de Etilo-Risco do HSM. O estudo teve como objectivo a identificação dos vários sub-grupos de dependentes do álcool que procuram ajuda numa consulta especializada num Hospital Geral. A análise dos resultados evidenciou uma solução factorial constituída por 5 sub-tipos de bebedores dependentes do álcool, designadamente: (1) Ansiopático, caracterizados por sintomatologia associada à ansiedade e ausência de controlo sobre a bebida, (2) Heredopático, com indicadores familiares positivos de alcoolismo e de dependência alcoólica, (3) Timopático, associado à perturbação afectiva, (4) Sociopático, caracterizado pelo comportamento anti-social e o (5) Adictopático, que traduz um sub-grupo assinalado pelo consumo de outras substâncias psicotrópicas, para além do álcool. Próximas investigações visam o estudo das prevalências e a delimitação bioquímica e genética dos 5 sub-grupos de dependentes do álcool, previamente reconhecidos.
A investigação levada a cabo tem como objectivo final, melhorar a intervenção clínica nos doentes da consulta de Etilo-Risco e por consequência, poder generalizar estes resultados a outros settings terapêuticos nacionais. De facto, identificar e intervir num doente apenas sob o ponto de vista da dependência é inevitavelmente redutor e não lhe concede um processo terapêutico ajustado à sua problemática. O estudo propõe o aperfeiçoamento do conhecimento e assistência clínica efectuado aos doentes de uma forma cada vez mais personalizada e eficaz, secundarizando o livre arbítrio e os modelos de tratamento previamente standardizados para todo e qualquer dependente de substâncias.

Qual é o papel do psicólogo, em relação à questão do alcoolismo?


O psicólogo deve ter um papel activo ao nível da prevenção, tratamento e reabilitação do problema do álcool, integrado em equipas multidisciplinares de investigação e assistência clínica. O fundamental da intervenção psicológica do alcoolismo na prática clínica, passa pelo estabelecimento e manutenção de uma relação psicoterapêutica estável, no sentido de impulsionar a “desintoxicação psíquica” da problemática do álcool, a monitorização da abstinência e a reabilitação cognitiva. No caso específico do NETER, que funciona essencialmente com uma população de utentes dependentes do álcool, o psicólogo vai articulando a sua intervenção tendo conta a evolução do indivíduo no processo terapêutico da consulta e na sua própria doença. Neste sentido, é indispensável recuperar os recursos psicológicos necessários ao processo de mudança, dentro de uma perspectiva comportamental de reforço do processo de decisão e manutenção da abstinência e prevenção da recaída. A avaliação psicológica, neurocognitiva, o rastreio de consumos problemáticos do álcool e o acompanhamento psicoterapêutico individual ou em grupo, são instrumentos desenvolvidos pelo psicólogo no setting multidisciplinar especializado, no sentido de melhorar o atendimento ao doente alcoólico e complementar o tratamento psicofarmacológico, indispensável à evolução favorável do doente. O psicólogo não deve assumir o tratamento de um alcoolismo isoladamente, principalmente em casos de dependência elevada, pois o início do decurso de uma abstinência pode trazer inúmeras complicações orgânicas que poderão comprometer a sua actuação e até mesmo a saúde física e mental do doente.

A Emancipação da Mulher no alcoolismo



As mulheres consomem cada vez mais substâncias lícitas e ilícitas.
No início dos anos 80, a prevalência ao longo da vida de perturbações pelo uso de álcool nas mulheres era de 4.6%, passando para 8.2% no inicio da década de 90.
Grosso modo, as estimativas referente à razão homem/mulher nas admissões para os problemas relacionadas com o álcool numa consulta especializada é de 5:1, respectivamente.
De acordo com os dados de 2000 a 2005 da consulta do Núcleo de Estudos e Tratamento do Etilo-Risco (N.E.T.E.R.), grupo de trabalho direccionado para a assistência, formação e investigação na área da alcoologia, integrado no Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, 18% da população que procura ajuda são do sexo feminino.
Factores de risco para os problemas ligados ao Alcoolismo nas mulheres: história familiar de alcoolismo, problemas de comportamento na infância (controlo de impulsos); uso precoce de nicotina, álcool e outras drogas; depressão; Divorcio, parceiro bebedor excessivo; Disfunção sexual; vitima de abuso sexual na infância ou de violência física.
As mulheres com problemas de álcool possuem um padrão de consumo do álcool extremamente nocivo, bebendo geralmente sozinhas e em casa, o que diminui a probabilidade de serem descobertas e aumenta consideravelmente o risco de isolamento social face à desaprovação e estigma associado à alcoolização feminina.
A relação entre o alcoolismo e o sexo feminino é marcada por um efeito “telescópico”, ou seja, começam mais tarde a beber, mas desenvolvem de modo muito mais rápido problemas associados a esses consumos.
As mulheres começam a beber mais tarde, bebem menos e com menos frequência, mas o risco de desenvolver dependência é maior.
Possuem maior vulnerabilidade ao efeito deletério do álcool, por desenvolverem maiores concentrações de álcool no sangue, na medida que possuem menor concentração de água corporal, dificultando a diluição do etanol pelo organismo e menor quantidade da enzima que metaboliza a molécula de álcool na mucosa gástrica, a alcooldesidrogenase.
As mulheres correm maior risco de desenvolver determinadas complicações físicas associadas ao consumo excessivo do álcool, nomeadamente

• Doença hepática;
• Miocardiopatia;
• Miopatia;
• Lesão cerebral.
• Inibição da ovulação;
• Infertilidade;
• Problemas ginecológicos/obstétricos

Durante a gravidez está associado a:
• Aborto espontâneo;
• Atrasado crescimento intra-uterino;
• Síndrome alcoólica fetal;

As mulheres grávidas devem abster-se completamente do álcool.

Que álcool se bebe em Portugal?


A utilização lícita de bebidas alcoólicas está fortemente entrosada na cultura e economia da maioria dos países Europeus que incondicionalmente toleram não só o consumo do álcool, mas igualmente o processo de alcoolização.
Aludindo pelas diferentes culturas e tradições mundanas, a qualificação do álcool como “lubrificador de relações sociais humanas”, regulamenta os fenómenos que disciplinam a normalidade vigente das sociedades contemporâneas.
A Europa continua a ser a região do mundo que mais produz e consome bebidas alcoólicas, apresentando o Luxemburgo no topo da classificação com um consumo médio de álcool puro per capita de 12,6 L, seguido pela Hungria com 11,4 L e República Checa com 11L. Portugal, infelizmente, ocupa o pouco honroso 8º lugar com um consumo médio de álcool puro de 9,6 L.
Estes dados suportam a catalogação de Portugal como um dos maiores consumidores de álcool do mundo, enquadrado num modelo de ingestão de álcool tradicionalmente caracterizado pelo consumo de vinho diário, particularmente às refeições e numa permutação global dos padrões de beber dos países industrializados ao nível do aumento do consumo de cerveja.
Os resultados estatísticos nacionais mais relevantes referentes ao consumo do álcool (Inquérito Nacional de Saúde) revelaram, em termos gerais, uma diminuição da prevalência de consumidores de álcool, predominantemente os homens e uma diminuição da quantidade média do consumo do álcool (gramas), marcada pela transposição do consumo de vinho para cerveja, sobretudo nas faixas etárias mais jovens.
Os dados epidemiológicos relativos às doenças do álcool, demonstram que o seu consumo excessivo provoca profundas ramificações sociais, médicas e psicológicas, não só para o indivíduo, mas também para aqueles que o rodeiam, devendo ser exaltado com maior proeminência nas agendas sócio-políticas que nos regem.
Actualmente, o alcoolismo deve ser reconhecido como um grave problema de saúde pública, oscilando a taxa de prevalência entre 1% a 10% da população. Em Portugal, é frequente referir-se que cerca de 10% da população apresenta graves incapacidades ligadas ao álcool. Provavelmente falamos da maior toxicodependência dos portugueses.
Para termos ideia dos custos do alcoolismo para o erário público, basta-nos a simples equação: o valor médio da produção de bebidas alcoólicas representa 2 % do Produto Nacional Bruto (PNB), enquanto que o custo económico dos problemas ligados ao álcool (PLA) atinge os 5 a 6 % do Produto Nacional Bruto.
A vigilância de saúde pública deve concentrar as suas atenções na permutação dos hábitos tradicionais do consumo de bebidas alcoólicas, nomeadamente: 1 – aumento do consumo em dois grupos populacionais de risco – jovens, pela sua imaturidade orgânica e as mulheres, pela sua menor capacidade em metabolizar o álcool; 2 – jovens com um padrão de consumo orientado para a embriaguez; 3 – associação do álcool a outras substâncias que alteram o funcionamento mental (haxixe, cocaína); 4 – aparecimento em superfícies comerciais de bebidas com embalagens muito atractivas - design drinks, conhecidas como alcopops, em que o álcool aparece diluído em sumos fortemente adocicados, de modo a neutralizar o sabor do álcool e a sua rejeição natural; 4 – aparecimento de produtos não alcoólicos com apetência especial para as crianças, com uma apresentação sugestiva de uma bebida alcoólica (ex. espumante), cuja a intenção é mimetizar as saudações e festas comemorativas dos adultos; 5 – estreita colaboração entre as marcas de bebidas e as actividades académicas, desportivas e culturais, dirigindo os seus targets a grupos populacionais de maior risco, tendo como resultado o aumento da incidência de alcoolizações maciças e comportamentos de hetero-agressividade; 6 – veiculação de notícias imprecisas, vagas e por vezes francamente erróneas acerca dos putativos benefícios das bebidas alcoólicas para a saúde.
A conceptualização do consumo do álcool alicerça-se num amplo conjunto de factores intra e inter-dependentes (políticos, culturais, económicos, sanitários, pessoais, etc), que concorrem para a necessidade crescente de adoptar um enfoque integrador da alcoologia portuguesa, gizando em uníssono a redução efectiva dos Problemas Ligados ao Álcool (PLA).